Pará é o 4º estado com mais pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão em 2025, aponta MPT
- avancaparaoficial
- há 6 dias
- 2 min de leitura

Os dados divulgados recentemente pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) acenderam, mais uma vez, um alerta vermelho sobre as relações de trabalho no Norte do país. O estado do Pará encerrou o ano de 2025 ocupando a vergonhosa 4ª posição no ranking nacional de resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão. O número não é apenas uma estatística; é o retrato de uma ferida aberta na estrutura socioeconômica da nossa região.
De acordo com o levantamento, as operações coordenadas pelo Grupo Móvel de fiscalização encontraram homens e mulheres submetidos a jornadas exaustivas, servidão por dívida e condições degradantes de alojamento e higiene. Historicamente ligado às frentes de desmatamento e à pecuária extensiva, o trabalho escravo no Pará hoje se diversifica, atingindo também setores da mineração ilegal e até grandes monoculturas.
A Geografia da Exploração O Observatório Amazônida aponta que as regiões sul e sudeste do Pará continuam sendo os epicentros dessas ocorrências. Municípios que compõem o chamado "arco do desmatamento" apresentam uma correlação direta entre crimes ambientais e violações de direitos humanos. Onde a lei ambiental é desrespeitada, a dignidade humana costuma ser a próxima vítima.
O Papel da Fiscalização e a Impunidade O avanço nos números de resgates em 2025 deve-se, em parte, ao fortalecimento das equipes de fiscalização e ao uso de denúncias via canais digitais. No entanto, o redator Aldhiery Chagas ressalta que o resgate é apenas a primeira etapa. A verdadeira eficácia no combate à escravidão moderna depende da punição rigorosa dos empregadores na esfera criminal e da inclusão desses trabalhadores resgatados em programas de assistência social e reinserção no mercado de trabalho.
Muitos dos resgatados no Pará são migrantes internos ou trabalhadores de estados vizinhos que, atraídos por promessas de "ganho fácil", acabam presos em propriedades isoladas, sem comunicação e sob constante ameaça.
Conclusão e Vigilância Para o Observatório Amazônida, figurar entre os estados com mais resgates é um chamado à responsabilidade para o poder público e para a sociedade civil organizada. Não há desenvolvimento sustentável ou "bioeconomia" que se sustente sobre a exploração do homem pelo homem. A COP 30 se aproxima, e o mundo cobrará do Pará não apenas árvores em pé, mas um povo que trabalhe com liberdade e direitos garantidos.
O combate ao trabalho escravo exige vigilância constante e coragem para enfrentar os poderes locais que ainda insistem em práticas do século passado. O Observatório continuará acompanhando os desdobramentos dessas operações e cobrando justiça para cada cidadão resgatado.
Por: Aldhiery Chagas Observatório Amazônida "Informação com a força das nossas raízes, onde a notícia encontra o futuro da Amazônia."













Comentários