Os céus de Ananindeua e o novo escândalo de Doutor Daniel
- avancaparaoficial
- 9 de out. de 2025
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Os céus de Ananindeua são palco de mais um escândalo envolvendo Doutor Daniel (PSB), prefeito do município. Desta vez, o gestor é acusado de usar duas aeronaves pertencentes à empresa de saúde Altamed, contratada pela Prefeitura de Ananindeua, com valores que somam quase R$27 milhões em repasses públicos.
De acordo com as denúncias, Doutor Daniel e seu aliado político, senador Zequinha Marinho (Podemos), teriam utilizado as aeronaves mais de dez vezes cada nos últimos dois meses, em viagens a diferentes municípios paraenses com características de campanha eleitoral antecipada.
A denúncia foi ajuizada no Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) pelo advogado Giussepp Mendes, que decidiu investigar o caso e acabou descobrindo indícios de que o escândalo pode ser ainda maior do que se imaginava.
Pagamentos milionários e vínculos suspeitos
Segundo o advogado, a Altamed recebeu mais de R$26,8 milhões da Prefeitura de Ananindeua. A maior parte, mais de 80% desse montante, pagos a partir de 2024 para cá, justamente no período em que o MPPA intensificou as investigações sobre Doutor Daniel.
Em 2024, o Hospital Santa Maria, que pertenceu ou ainda pertence ao prefeito, teve bens bloqueados pela Justiça, incluindo um avião particular, mas que foi repassado a empresa JD Agropecuária, pertencente ao Dr. Daniel, dias antes da justiça bloquear bens do hospital.
O empresário por trás da Altamed
O empresário Silvair Dias Ladeira Júnior, dono da Altamed, é vizinho de Doutor Daniel em um condomínio de luxo de Ananindeua. Ele foi denunciado pelo MPPA no último dia 3 por suposto envolvimento em um esquema de corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro que teria sido chefiado pelo prefeito.
Segundo registros da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a Altamed não é proprietária nem operadora das aeronaves usadas nas viagens de Doutor Daniel e Zequinha Marinho. Em outras palavras, a empresa não tem direito legal de uso dos aviões, que ainda assim foram utilizados em deslocamentos não contabilizados como despesas oficiais. E as duas aeronaves não têm autorização para uso de Táxi Aéreo na ANRC, mas teriam, supostamente, sido cedidas tanto para o prefeito quanto para o senador sem custos aparentes.
Pedidos de quebra de sigilos e novas medidas
No documento encaminhado ao MPPA, Giussepp Mendes solicita à Justiça a quebra dos sigilos telefônicos, de e-mail, fiscais e bancários de Daniel Santos e das empresas ligadas a Silvair Dias Ladeira Júnior, abrangendo os últimos 12 meses.
O advogado também requer a expedição de mandados de busca e apreensão nas sedes das empresas investigadas e nas residências do prefeito e do empresário, a fim de localizar documentos, equipamentos e registros financeiros que possam comprovar o uso irregular de recursos públicos.
Segundo Mendes, as medidas são necessárias para garantir a preservação das provas e o esclarecimento dos fatos. O advogado aponta que é dever do Estado proteger o patrimônio público e assegurar a probidade administrativa visando o bem comum.
As irregularidades levantadas na denúncia ajuizada ao MMPA podem levar os envolvidos a responder por crimes como improbidade administrativa, enriquecimento ilícito, dano ao erário e violação dos princípios da administração pública, além de infrações à Lei das Licitações e à Lei Anticorrupção. Caso sejam confirmadas, as penas podem chegar a 11 anos de prisão.













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